segunda-feira, 14 de março de 2011

O amor em Stendhal e no Novo Testamento.

No célebre " Do amor" Stendhal trata do amor pelas mulheres e lhe dá vários conceitos. Não é um tratado filosofico sobre o tema. Na verdade é mais próximo de um manual. Por isso, o titulo é inegavelmente pretensiodo, fato reconhecido pelo próprio autor.
O grego, contudo, usa quatro palavras distintas e com finalidades bem diversas.
A palavra eros talvez seja a que melhor retrate o tema da obra do francês, pois se refere ao amor carnal. Esse termo não é usado diretamente no Novo Testamento.
Phileo, por sua vez, significa um afeto ou predileção, nos moldes que usamos quando dizemos " amo chocolate". O termo filantropia, em portugues, significa literalmente amor pela humanidade. Esse termo é bastante usado no Novo Testamento. Quando Jesus pergunta a Pedro se ele O ama esse é o termo empregado.
Há ainda o amor philadelphia , que expressa a ligação entre membros de uma comunidade ou mesmo familia. Por isso muitas vezes é transliterado por amor fraternal. É o que ocorre quando João manda que os membros da igreja primitiva se amassem uns aos outros.
Agape, contudo é o termo de maior relevância teologica, isto porque, deve ser entendido como um amor sublime, do tipo que o Pai devota a Jesus e a nós como co-herdeiros com Ele. Esse termo é especial por não se de uso corriqueiro no grego clássico, sendo conformado para uso teologico pelos autores dos evangelhos sinoticos.
Bem, não esqueça de amar.

Cultura para quê? Pelo fim do Carnaval.

Somerset Maugham, escreveu que a finalidade da cultura é a bondade à medida que fortaleça e enobreça o caráter. De fato o homem culto tem melhores lentes para ver o mundo, o próximo e a si mesmo, o que levaria a adotar uma postura ética natural. Se é esse o caso, uma nação não pode se desenvolver verdadeiramente sem tornar seus cidadãos cultos.
É bem verdade que muitos homens cultos foram crueis, mas por opção.
Italo Calvino deixou claro que a erudição torna o leitor partícipe da aventura humana conectando-o ao passado e lhe dando senso de futuro. Pode-se argumentar que se trata de uma visão burguesa da história, mas não buscaram os bolcheviques o mesmo?
Sem cultura, mesmo estomagos cheios sustentam cérebros magros e desligados do ser no mundo. Cega a percepção.
Bem, de que cultura estamos falando? Certamente não há um conceito universal, mas o " bum bum paticubum zirigundum" anual dificilmente pode ajudar a compreender Platão, Stendhal, o amor, Deus, etc.

O Maestro e a bateria.

A música erudita, recebe constantemente a crítica de não ser assimilável pelos não iniciados. Curiosamente, a unica coisa que vi deste carnaval foi a bateria da escola de samba marcando os acordes de Bach sob a regência do Maestro Martins. Eu, que neste momento escrevo ounvindo Andre Segovia, e, que desde pequeno ouço Bach, fiquei me perguntando se não era o caso de sugerir que as festas momescas fossem sonorizadas á base de releituras dos grandes clássicos. Imaginem só a Beija-Flor na avenida sob uma versão de " O anel dos nibelungos" de Wagner. Suas rivais, por sua vez, relendo Mozart, Beethoven, Lizt ( cujo duocentanário de nascimento estamos comememorando), entre outros. Seria um verdadeiro encontro das tradições cultas e populares. Quem sabe, por conta disso, não estaríamos como bonus apresentando Viena aos morros cariocas.  

Thomas Merton

Thomas Merton estudou filosodia medieval na Columbia University. Algum tempo depois converteu-se ao catolicismo romano e se tornou moge trapista. Sua opção era distanciar-se do homem para poder vê-lo em perspectiva. Nessa nossa era de hiperconectividade ( que nos digam nossos celulares, notebooks, tabs, etc) é fundamental guardar o valor da solidão como meio de alcançar a "comoção interna" necessária a contemplação do mundo. O mal dos nossos dias não é o stress, é sim, a ausência de contemplação, de reecontro periódico conosco mesmos sob a luz de Deus. Cognoscere in lumine Dei, é uma tarefa, mas também refrigério para as almas abaladas do nosso século. É no silencio que a simplicidade se apresenta, como dizem os evangelhos, poucas coisas sao necessárias, e, realmente, apenas uma. A descoberta dessa revelação depende de nossa capacidade de "viver num silencio que reconcilie as contradições dentro de nós", como disse Merton.

O Início e o compromisso..

A resistencia foi quebrada.
Depois de Yudice, André e, agora, Sandro, me rendi.
Venho com a seguinte missão:
1) aumentar a inteligência liquida da internet ( será?).
2) estimular a contemplação.
3) aguçar os sentidos.
Proponho postar pelo menos uma vez por semana.
Como titular censurarei participações que entenda discriminatórias, ofensivas ou mal redigidas, portanto, esmerem-se.
Bem, começamos esta nova aventura.